Ciência dos Dados e Analytics como recurso estratégico para prevenção de riscos corporativos.

Ciência dos Dados e Analytics como recurso estratégico para prevenção de riscos corporativos.

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Por Felipe Dal Belo

Contexto atual e ambiente de negócios:

Atualmente a humanidade enfrenta um de seus maiores desafios na relação entre homem, sociedade e tecnologia já identificados desde e última transformação social na segunda revolução industrial que se iniciou na segunda metade do século XIX (c. 1850 – 1870), e terminou durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Pois é cada vez mais evidente que as realidades e o contexto dos ambientes de negócios se tornaram voláteis, incertas, complexas e ambíguas (V.U.C.A.- Volatile, Uncertain, Complex and Ambiguous). E que os cenários macroeconômicos, geopolíticos e sócio tecnológicos afligem qualquer Instituição e ou Organização, sejam estas inseridas em um perímetro público, privado, não governamental ou mistas.

Dado o conhecido contexto disruptivo, no que tange à velocidade de transformação não somente das tecnologias, geração de dados, internet das coisas (IoT), robótica, inteligência artificial, aprendizado de máquinas, mas também da opinião pública frente ao comportamento das Organizações. Constatou-se em uma pesquisa recente realiada pela revista Forbes em maio de 2018, que produzimos cerca de 2.5 quintilhão bytes de dados diariamente a partir de diferentes fontes geradoras (redes sociais, internet das coisas, email, fotos, comunicação, entre outras). A partir destas informações a exéctativa é que o mercado de Big Data e Analytics gere uma receita mundial em torno de US$ 210 bilhões até o ano de 2020, de acordo com relatório emitido pela Statista no primeiro trimestre deste ano.

O profissional da era digital:

É necessário que líderes e gestores estejam preparados com novas habilidades e competências digitais, bem como com um corpo de profissionais devidamente capacitados às atividades e funções, suas estruturas administrativas, processuais e instrumentais atualizadas para que os resultados prospectados e planejados sejam entregues de maneira eficiente, realista, em tempo hábil de maneira sustentável.

Testemunhamos uma realidade contemporânea onde os mercados e economias em sua maioria estão abertos ao intercâmbio econômico e tecnológicos, logo é de suma relevância para a sobrevivência da Organização o planejamento organizacional por meio do conhecimento de seu ambiente de negócio e assim administrá-la na velocidade que os fatores internos e externos do ambiente que estamos inseridos se configuram.

“É a fusão das tecnologias e a interação através dos domínios físico, digital e biológico que fazem a diferença fundamental da quarta revolução industrial diferente das revoluções anteriores”. ― Klaus Schwab, 2016. The Fourth Industrial Revolution.

Ciência dos dados e as tecnologias disruptivas:
Compreende-se se Ciência dos Dados como uma área interdisciplinar voltada para o estudo e a análise de dados, estruturados ou não, que visa a extração de conhecimento ou insigths para possíveis tomadas de decisão, de maneira similar à mineração de dados. A ciência de dados aliada as tecnologias e ferramentas de big data e machine learning, além de técnicas de outras áreas interdisciplinares como estatística, economia, engenharia e outros subcampos da computação.

Os riscos corporativos e as fraudes ocupacionais:

Em publicações recentes de diversas fontes e empresas especializadas em consultoria de gestão de crise e riscos corporativos, foram identificadas as seguintes 05 principais categorias onde os respondentes (CEOs e executivos das áreas de Negócios e Governança) afirmaram que predominantemente afetam o negócio de maneira geral: 1) Riscos Regulatório, 2) Riscos Operacionais, 3) Tecnologia da informação, 4) Execução da estratégia de negócios, 5) Condições econômicas e de mercado.
Em outra pesquisa recente publicada em 2017 registrou que 82% das 2.600 empresas entrevistadas afirmaram que sofreram alguma perda financeira no seu último ano fiscal devido às fraudes ocupacionais. Dentro deste universo 85% confirmaram que registraram algum tipo de ataque cibernético.
No ano de 2017 e novamente em 2018 uma pesquisa sobre tipologias de fraudes corporativas, chegou-se à conclusão que a modalidade de apropriação indevida de ativos (bens em geral) foi a modalidade mais comum (89%) do total de perdas registradas pelas organizações, seguida de fraude nos processos de compra e posteriormente propina e ou suborno à agentes públicos ou privados. O montante calculado de perdas sofridas por estas empresas foi da ordem de mais de US$7.00 bilhões.

Big Data & Analytics:

O interesse pelo uso de grandes bases de dados sejam estes estruturados ou não estruturados vem crescendo drasticamente em todos os campos de interesse, e na disciplina de gestão de riscos não é diferente.
O analytics ou simplesmente estatística aplicada com uso de tecnologia exponencial a um objetivo fim, tem sido amplamente adotado nas dimensões conhecidas (descritivo, diagnóstico, preditivo e prescritivo) para prevenção e identificação de comportamentos maliciosos, mapeamento de perfis criminosos, correlação de atividades daninhas ao patrimônio público e privado, combate a corrupção biometria e sistemas de segurança, visualizar grandes quantidades de dados de maneira objetiva e clara e por fim traçar facilitar o trabalho desgastante e repetitivo ora realizado pelo indivíduo.


Gráfico ilustrativo com os 04 tipos de analytics e sua aplicação. Felipe Dal Belo 2018.

Técnicas de Big Data contra riscos e fraudes:
• Fontes múltiplas de dados;
• Vizualização de dados;
• Text analytics
• Scoring de riscos sobre Pagamento & transações;
• Modelo de predição – monitoramento de tecnologia assistida;
• Análise de Padrões & correlação;
• Inteligência artificial comportamental (perfis de indivíduos);
• Email analytics


Caso de aplicação de Analytics para identificação de riscos e fraudes. Felipe Dal Belo, 2018.

Autoridades Reguladoras e seu aperfeiçoamento digital:

Desde 2014 ainda durante a liderança do maior posto executivo da SEC (Securities Exchange Commission), Mary Jo Whitte declarou em audiência pública o uso e investimento milionário de técnicas de análise de dados (analytics), analises visuais de grandes bancos de dados, e aperfeiçoamento da coleta, armazenamento e processamento ou cruzamento de dados relevantes às suas atividades de controle e segurança do patrimônio da nação americana.
Com a gestão atual de Jay Clayton não está sendo diferente, senão mais contundente a conhecer as iniciativas, leis e emendas constitucionais propostas e sancionadas nos âmbitos de segurança cibernética, privacidade e analytics. Esta última já prevista pelo princípio #08 do framework Gerenciamento de Riscos Corporativos – Estrutura Integrada publicada pelo COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission).
No Brasil já é de conhecimento que os Órgãos de Controle, bem como as Corporações de segurança Federal e Estadual vêem investindo no combate ao crime e fraude com o uso de tecnologias de inteligência artificial e analytics forense.


Modelo de análise de fraude utilizando Big data & Analytics. Wiley, 2018.

O futuro das áreas de controle (Governança Corporativa, Compliance, Auditoria interna, Gestão de Riscos):

Fazendo a leitura do avanço das tecnologias exponenciais e disruptivas, associado à integração dos bancos de dados de empresas, instituições, organizações no combate aos ilícitos de natureza diversa.
Enxerga-se uma estrutura sofisticada e poderosa a partir da combinação dos 04 elementos emergentes na era digital e do capital humano e intelectual: 1) Robótica, 2) Talentos, 3) Analytics e 4) Criação de valor (ROI – Return over investment) na antecipação de perdas econômicas financeiras e prejuízos à sociedade de maneira geral.


Modelo de um futuro de composição de uma área de controle. Felipe Dal Belo, 2018.

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